A POSTA NO NACIONALISMO ANFITRIÃO

Ao longo do diálogo o gajo deixou-me várias vezes surpreendido com o detalhe do seu conhecimento acerca da história recente do nosso país. Porém, revelou-me igualmente uma noção clara da realidade portuguesa no contexto da União Europeia e desta crise medonha que nos faz vermo-nos gregos para pagar as contas.

E ainda lhe somou o conhecimento empírico, o saber de experiência feito que lhe abriu a pestana para a verdade do que nos entala afinal enquanto povo, a nós, eu e ele, que temos em comum apenas o facto de ser esta a terra onde escolhemos investir o presente e o futuro da nossa existência.

 

Deixou-me impressionado, pela bagagem que revelou acerca de coisas tão díspares como a história da vida dos milionários portugas ou as fragilidades da nossa esquerda perante um cenário de crise financeira.

Aliás, ainda mais impressionado fiquei com tudo o que o gajo teve para me dizer, neste magnífico diálogo entre compatriotas, quando finalmente me revelou que só há nove anos abraçou a nacionalidade portuguesa, este homem nascido na Roménia que se provou bem mais conhecedor do país que agora é o nosso do que a esmagadora maioria dos que cá nasceram e certamente muito mais inteligente do que aqueles que adoptam a generalização no seu discurso quando se referem aos de fora que querem mandar embora, tudo farinha do mesmo saco, por acharem que essa forma de ver as coisas representa o nacionalismo que alegam defender.

 

Este homem de que vos falo conseguiu em escassas dezenas de minutos mostrar-se mais patriota e esclarecido acerca do país do que qualquer dos que até hoje me tentaram impingir a xenobofia e o racismo quase como consequências naturais do pensamento nacionalista.

E eu, que amo a minha Pátria e por ela morreria se disso dependesse a sua defesa, envaideço-me sempre que alguém de outra terra adopta a minha para viver e constituir família.

 

Independentemente dos casos foleiros isolados que servem de sustento para a argumentação pacóvia de quem ama mais os dogmas e o culto do ódio do que a Pátria que os extremistas que se arvoram arautos do nacionalismo apregoam defender, o homem com quem hoje tive o privilégio de conversar bastaria para consolidar a razão das minhas convicções.

publicado por shark às 18:08 | linque da posta | sou todo ouvidos