A POSTA QUE RENDIAM MAIS EM GRUPOS DE UM

Os blogues colectivos estão cada vez mais a afirmar-se como os que melhor conseguem aguentar a pressão das redes sociais (sim, o sacana do passarinho mais o livro das caras) que, embora muitos insistam na ilusão de que se trata de realidades complementares, têm desviado boa parte dos visitantes da blogosfera para outras paragens.

 

Se a reacção instintiva, nomeadamente a minha, é a de aversão aos usurpadores virtuais que afastam dos blogues boa parte do seu público natural é fácil de concluir que a blogosfera só poderá culpar-se a si própria pelo golpe sofrido nos contadores desde o advento da concorrência da moda.

Os blogues individuais como este, condenados ao desaparecimento a curto prazo por obsolescência ou à medida em que se transformam em tétricas cidades fantasma plantadas no meio do deserto virtual, na sua maioria não exibem capacidade para competir taco a taco com as redes sociais.

Parte dessa incapacidade reside na negação das evidências, no discurso arrogante que se reflecte no comodismo com que poucos tentam alterar o figurino de alguma forma.

 

Os blogues colectivos, por outro lado, conseguem congregar um dinamismo natural que deriva da maior rotatividade das postas e, embora o todo nunca consiga equivaler à soma das partes, acabam por reunir uma parte dos frequentadores dos blogues individuais de cada membro do colectivo e assim geram o feedback nas caixas de comentários que, sobretudo agora, constitui a tábua de salvação da blogosfera no seu todo.

Porém, quando falamos de blogues colectivos não temos em conta que a sua criação e, acima de tudo, a sua organização pode ser distinta ao ponto de um dado grupo poder funcionar apenas como um ajuntamento de indivíduos. E isso transforma o dito colectivo numa fantochada.

 

Ao longo dos meus quase sete anos de blogarice integrei vários blogues colectivos e isso permitiu-me identificar-lhes as diferenças entre si.

Nos mais bem sucedidos, colectivos propriamente ditos, e mesmo quando a concepção original partiu de um blogueiro isolado que depois foi convidando colegas para partilharem o seu espaço, encontrei dois factores de sucesso que, como é óbvio, reflectiram na sua ausência o fracasso de projectos cheios de amanhãs que publicam: o espírito de grupo, não necessariamente em ambiente de concordância, de proximidade ideológica ou outra, expresso na interacção entre os membros do colectivo e na presença discreta, como um igual, do seu mentor ou mentores na evolução do espaço e o tema de fundo com que esses blogues são identificados.

Claro que estou a deixar de lado o talento de cada um/a, por se tratar de um critério discutível e que nem sempre corresponde ao sucesso (sim, o sucesso mede-se no número de visitantes) de um blogue. Exemplos não faltam, mesmo nos blogues colectivos entretanto extintos, mesmo quando o seu fim não é anunciado e se arrastam penosamente numa sucessão de postas para encher chouriço ou nem isso porque a malta fala muito mas não está para se esforçar num trabalho para o usufruto meia dúzia.

 

Contudo, a maioria dos blogues colectivos que vi fecharem portas acabaram vítimas da incapacidade dos seus criadores de entenderem o seu papel no funcionamento da realidade por si criada mas entretanto alargada a outros colaboradores.

Mais concretamente, aqueles a quem mais interessaria fazer vingar um dado projecto acabam por ser o respectivo algoz pela sua intervenção desastrada quer ao nível do seu desempenho na gestão dos umbigos, quer na própria insistência em reclamarem protagonismo individual excessivo num espaço no qual nunca abdicam da condição de chamarem seu.

 

E quando isso acontece, tanto podem destruir uma boa ideia por pecarem, arrogantes, pelo escorregadio excesso de intervenção como, negligentes, pelo inevitável defeito da respectiva escassez.

publicado por shark às 17:28 | linque da posta | sou todo ouvidos