A POSTA QUE SEM FLORES É SEMPRE UMA GAITA

É talvez a frase que mais ouvi ao longo da vida: perdes a razão pela forma como a expões. Ou coisa que o valha.

Mas a ideia é aquela que a frase exprime, a malta desvaloriza a razão em prol do tom. Ou seja, e por muito que me custe aceitar essa premissa, mais vale parecê-lo...

 

Claro que se torna difícil achar (quase) todos errados, mesmo quando a nossa convicção é sólida e a argumentação a sustenta, se no final das trocas de impressões já se mergulhou nas discussões porque ninguém gosta de verdades incómodas ou dos dados adquiridos de alguma forma desmentidos pela lógica a que recorro sem excepções, pelo menos até me saltar a tampa.

E claro que não compro a ideia de que se pode perder uma razão pela forma como conseguimos apresentá-la. Ou é a razão e não há volta a dar ou não a temos e somos estupidamente teimosos e arrogantes, sendo esse o principal motivo para eu tentar sempre falar com justa causa, mesmo que a respectiva justeza possa passar por alguma falha no raciocínio que as poucas pessoas inteligentes que conheci sempre souberam expor-me com igual acutilância, precisamente com a inteligência que deveria sempre prevalecer sobre o orgulho ferido de quem não sabe perder e por isso desatina.

 

Eu sou assim, se acredito defendo até onde a lógica dos outros ou a verdade dos factos me desmintam. Admito que enquanto tal não se verifica insisto em procurar as incongruências no raciocínio dos outros, tal como me submeto a que denunciem as minhas, e sei o quanto isso irrita quem vê as suas ideias mal estruturadas com as perninhas no ar sem conseguirem assentar num terreno mais firme do que aquele que a minha forma de debater lhes oferece.

 

Contudo, não consigo abdicar deste meu estilo que ainda hoje acusaram de provocar urticária. Não faz muitos amigos nem alimenta grandes diálogos, mas sempre me permitiu filtrar as companhias.

publicado por shark às 21:10 | linque da posta | sou todo ouvidos