A POSTA PSIQUIÁTRICA DE PACOTILHA

Uma das características mais fascinantes da blogosfera é a sua capacidade inata para acolher malucos. De resto, a nossa comunidade é tão boa anfitriã para pessoas com determinados desequilíbrios mentais e/ou emocionais que lhes permite assumirem na boa a sua condição e abdicarem da medicação sem darem nas vistas no meio de tantos dos seus iguais.

Claro que nenhuma dessas pessoas aceita o estatuto de mais ou menos chanfrado/a e nesse caso eu afirmo já aqui que é mentira tudo o que acabo de afirmar.

(É que sempre ouvi dizer que não se pode contrariá-los/as...)

 

Das maleitas observáveis à vista desarmada que mais me prendem a atenção, o desdobramento de personalidades está sempre na liderança.

Admiro a energia dos muitos comentadores anónimos que conseguem dar vida a três, por vezes mais, nicks ao ponto de manterem animados diálogos entre si (entre os vários nicks da mesma pessoa), tanto quanto lhes invejo a concentração.

A minha única incursão pelo admirável mundo novo das mascarilhas virtuais, um nick que ninguém associava ao Shark, foi um fracasso absoluto na medida em que pouco tempo depois de começar a utilizar essa identidade secreta já quase toda a gente em meu redor tinha sabido por trocas de email comigo quem na realidade sou. Apenas um. E já me dá água pela barba geri-lo.

 

As múltiplas personalidades que aterram numa caixa de comentários às ordens alternadas do respectivo autor que se acredita uns dois ou três transmitem um colorido muito especial a qualquer diálogo, até porque existe sempre um nick mais colérico que se esforça por partir a louça toda e, regra geral, acaba por ser quase sempre o que descobre a careca dos seus alter egos no meio do fervor alucinado das suas mais acesas intervenções.

Claro que uma pessoa deixa de achar piada quando no meio do calor do debate as personalidettes (por norma mais discretas e com um discurso mais moderado, apenas para manifestarem solidariedade e simularem pequenas multidões) começam a cantar mais alto do que o/a artista principal e triplicam o problema em que se tornam (estou a ser um gajo porreiro, insistindo neste plural) quando perdem as estribeiras e não existem aquelas pessoas vestidas de branco que no mundo analógico resolvem esse tipo de situação.

 

Que não se deduza que esta posta visa antagonizar tais pessoas mais as suas diferenças, até porque sei bem o quanto constituem em muitos casos a verdadeira alma de um blogue, nem que seja por nos darem a conhecer o lado pior do respectivo autor quando este se passa e decide acabar com a neura que algumas manifestações desta liberdade para enlouquecer suscitam.

São pessoas interventivas, multiplicam-se pelas caixas como coelhos pois bastam duas em simultâneo para podermos ter logo cinco ou seis comentadores/as em alegre cavaqueira ou na animada versão peixeira que ninguém pode negar no seu estatuto de agitadoras das águas virtuais.

São por isso importantes em termos estatísticos, em termos de motivação acrescida e, naturalmente, enquanto figuras castiças desta nossa realidade alternativa que até nisso de ser casa onde há sempre pão para malucos está cada vez mais parecida com a propriamente dita.

publicado por shark às 23:23 | linque da posta | sou todo ouvidos