E QUE TAL VOT@R?

Calhou, neste dia dedicado à reflexão eleitoral, deparar-me com esta opinião do meu chefe no Oitavo Dia, o João Ferreira Dias, e como não tenho o que reflectir acerca da escolha que me compete amanhã achei oportuno ponderar a questão que o JFD coloca.

 

A primeira reacção, instintiva, à hipótese do voto electrónico é a de aceitar a ideia por soar perfeito para combater a abstenção, mobilizando a multidão de comodistas activistas de sofá.

Sim, é de acreditar que em dia de intempérie será mais fácil motivar parte dos abstencionistas a exercerem o seu direito entre umas colheitas no farmville e as respostas aos email. Porém, isso deixa às claras o facto de ser algo embaraçoso para qualquer democracia assumir que os seus cidadãos só assim se prestam a usufruírem de um direito que não é, a História comprova, um dado adquirido.

Claro que me dirão “que se lixem os pruridos pois qualquer dia só votam as partes directamente interessadas”. Ora são precisamente essas partes interessadas quem nos compete eleger ou não e se continuamos a deixá-los entregues à sua sorte qualquer dia vamos enfrentar um grande, grande azar.

 

Por outro lado, o voto electrónico suscita de imediato a questão da fraude eleitoral. A reacção instintiva de aprovação da coisa empalidece quando confrontada com as evidências que se multiplicam da falta de segurança que a informática não consegue contrariar.

Não me seduz a ideia de confiar o sistema democrático a um suporte que já se sabe ser vulnerável e por que isso pode tornar-se num poder arbitrário que no caso concreto vai sempre cair em mãos erradas.

Sim, tenho a perfeita noção do bota de elástico em que me transformo quando coloco a questão nesse prisma. Tresanda a típica aversão à mudança e ainda por cima não tem em conta situações de excepção como o JFD protagoniza.

 

Mas considerando o que está em causa, confesso que mesmo confrontado com o voto contrariado em alguém que não estou certo de ser a melhor opção para o país prefiro ter a certeza de que a minha decisão corresponde à realidade expressa na contagem, mesmo vivendo com algum remorso se me perceber errado na escolha, e essa até à data é uma garantia que ninguém questionou.

 

E acredito mais numa Pátria onde as pessoas entendam o direito e o dever implícitos no acto de votar e não precisem de uma espécie de room service que lhes sirva a urna de bandeja mesmo ao lado da chávena do chá.

publicado por shark às 11:27 | linque da posta | sou todo ouvidos