VISTO DE FORA

Perdido, desorientado, num ponto qualquer do reverso do seu pequeníssimo universo interior, desencontrado da vida pelas tropelias do acaso que lhe trocavam as voltas como gostava de as planear.

Virado do avesso, pendurado num estendal para a secagem sem sucesso por causa do sol que parecia nunca nascer e continuava molhado depois da lavagem ao cérebro a que acreditava ter sido submetido por uns gajos que apareceram na televisão.

Em cativeiro numa prisão espacial de máxima segurança, o seu próprio guarda prisional para eliminar qualquer esperança de uma fuga possível, sem conhecer as coordenadas daquela fria masmorra onde travava a sua guerra contra a loucura que o condenava, inocente, a uma vontade permanente de escapar a si mesmo que o afastava dos outros que nunca entendiam os argumentos da defesa e se assumiam jurados de acusação num tribunal de fachada que decorria à porta fechada na sua mente em sessões contínuas de um filme alucinante que vivia num ponto qualquer do reverso do seu infinito universo onde flutuava perdido, desorientado, à deriva entre paredes imaginárias com estrelas pintadas para o sossegar com a ilusão de uma liberdade que sabia não usufruir porque se sentia implodir à mercê do crescente aperto do torniquete daquilo que imaginava um capacete associado ao colete de forças no seu cérebro encharcado pelas lágrimas que não conseguia verter.

publicado por shark às 11:15 | linque da posta | sou todo ouvidos