A POSTA QUE NÃO DURA

Uma das confusões mais frequentes que constato é a equiparação entre popularidade e capacidade. As pessoas julgam que uma coisa e outra estão inevitavelmente ligadas e associam-nas de forma leviana, o que se traduz, na essência, em reconhecimento imerecido para com quem apenas revela talento na arte da promoção de um só artigo que é o próprio.

 

A popularidade pode obter-se de diversas formas, sendo a menos frequente a do mérito e a mais popular (esta não foi sem querer) a do logro. Pode nascer a partir de uma simples coincidência (estar no sítio certo à hora adequada ou cruzar caminhos com o amigo certo a qualquer hora) ou de um investimento pessoal ou mesmo institucional (políticos, empresários...) na promoção de alguém que dá jeito catapultar para a ribalta, a versão oportunista que está também na base do método dos que não possuindo o mérito, o talento ou qualquer outro argumento são argutos e/ou vivaços o bastante para aproveitarem a tal confusão que acima citei e empoleirarem-se numa onda por si criada (a sós ou com o empurrão amigo de terceiros).

 

Não raras vezes a popularidade revela-se efémera, talvez pelos pés de barro da maioria mas seguramente também porque até aos candidatos à sucessão (os lugares de destaque não abundam) interessa desmascar embustes de ocasião logo que sentem chegada a sua hora.

É cruel, visto desta forma? Nem por isso, se considerarmos que existe uma forma de popularidade que perdura, que deixa o rasto do mérito que assiste a quem se provou acima da média em algum aspecto, em alguma área do interesse comum, e que muitas vezes quem mereceria não possui a sorte ou a perspicácia dos que se apoderam indevidamente desse estatuto que pode, nos aspectos corriqueiros da uma vida normal, fazer toda a diferença.

 

Por isso se esmeram, os penetras da moda, não por se transcenderem naquilo que têm para mostrar mas apenas por se conseguirem maquilhar à medida do que entendem ser do agrado generalizado e por rentabilizarem todos os meios ao seu alcance (mesmo os menos legítimos) no sentido de sustentarem essa condição.

 

Mas esquecem sempre que a popularidade pode ser forjada mas a capacidade não.

publicado por shark às 12:11 | linque da posta | sou todo ouvidos