A POSTA QUE VIRA O DISCO E TOCA A MESMA

Mais uma vez estou a ser confrontado com um barrete por parte de um amigo.

E nem sequer é do barrete que enfiei, o propriamente dito, que me queixo.

Aquilo que faz mossa é mesmo o barrete que o próprio amigo constitui quando o vejo a rastejar por entre as pedras da argumentação vaga para escapar a qualquer tipo de responsabilidade que implique algum tipo de perda da sua parte.

 

Podia não ter sido dessa forma, mas calhou ser ele, amigo de longa data, a insistir num dado negócio. Recusei por duas vezes, mas a proximidade da relação aliada ao facto de eu efectivamente confiar na sua integridade levou-me a encontrar uma solução que viabilizasse o negócio em causa.

Na minha perspectiva o simples facto de ter sido ele a impingir deveria bastar para soarem os sinos de alarme quando a coisa deu para o torto e aquilo que lhe comprei deu raia. Mas não. Soaram sim os meus, nesta rotina de sucessivas desilusões com quase toda a gente de quem me aproximo em demasia. E percebi de imediato que estou (outra vez) confrontado com uma conversa difícil e cujo desfecho provavelmente será o do costume: fico com a razão mais o prejuízo e risco mais um nome da agenda telefónica...

 

Não sei mesmo se é de mim. Já estive na pele do outro neste caso concreto. E instintivamente reagi como sempre achei que me competia, assumindo a responsabilidade, mesmo apenas de índole moral, que me competia. Sobretudo quando estão em causa amigos ou familiares não me revejo em descartanços, em sacudidelas vagas de água do capote que me fazem sentir que hipoteco a própria alma se o fizer.

O meu amigo não vê as coisas assim. Acha que o problema é meu, o do prejuízo e o da perda de confiança implícita.

 

Eu também acho que o problema é meu. Mas a este ritmo de sucessivos baldes de água fria já não falta muito para que passe a ter como consequência nestas coisas apenas e só o prejuízo material. E esse sim, vale o que vale...

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publicado por shark às 12:15 | linque da posta | sou todo ouvidos