Sábado, 7 de Novembro de 2009
A POSTA PRECOCE MAS NADA PREMATURA

Tinha ouvido um médico referir essa nova expressão e até ouvi a sua explicação num noticiário qualquer acerca da pertinência desta troca.
Dizia ele que basta aplicar o conceito de precoce a uma criança, por exemplo. E visto dessa forma até faria sentido, mas eu preferi interrogar-me porque é que numa língua onde se chamam coisas tão feias a coisas tão bonitas logo haviam de se debruçar sobre esta...

Na interpretação literal, precoce e prematuro implicam algo que chega antes do tempo previsto ou “normal” para esse algo acontecer. Nesse caso querem dizer praticamente a mesma coisa.


Contudo, se deixarmos as crianças de fora de um tema mais para adultos ocorre-nos pensar que o problema em causa não se compadece de correcções na nomenclatura.
Ejaculação precoce seria a de um puto com quatro anos, ainda que só acontecesse duas horas depois de estimulada. E se esse puto tivesse nascido aos seis meses de gestação até seria mais razoável chamar-lhe prematura (à ejaculação, não ao puto). Mas em ambos os casos estaríamos perante um fenómeno digno do 24 Horas ou da TVI e o exemplo em causa volta a meter menores neste debate em torno da cena.

 

Uma ejaculação prematura será, portanto, aquela que nasce antes do tempo previsto. Até aí tudo bem. Mas então vamos lá falar de rigor científico: que tempo é esse? Vinte minutos? Meia hora? Hora e meia?
Não creio que alguém esteja em condições de me responder a essa pergunta, até porque depende da perspectiva e estou certo de que as minhas em cinco minutos, quando as obtinha a sós e à pressa para não ser caçado, não eram prematuras mas se transportarmos esses mesmos cinco minutos para estes dias podiam chamar-lhe precoce, extemporânea ou outra coisa qualquer que no final iria sempre ter que lhes chamar um grande transtorno ou uma enorme maçada.

 

Quero com isto dizer que me preocupa que a malta ande à procura de nomes porreiros para dar ao problema em vez de se debruçar sobre a respectiva resolução, num tique bem portuga mas que só resulta em esbanjamento desnecessário de tempo e de cornadura.
Por outro lado, o novo nome não facilita de todo a vida às vítimas do sucedido. Precoce ou prematura vai ser sempre complicada de assumir na condição, de verbalizar essa realidade tão confrangedora que o povo parodia com a célebre é tão bom, não foi?.

 

Mas basta-nos imaginar um cromo qualquer debruçado sobre o tema: é pá, isto de ejaculação precoce não soa nada bem. Xacávêr se arranjo uma alternativa porreira...
Qual terá sido o processo de raciocínio? E a motivação?

 

E uma pessoa tentar visualizar tudo isto e ao mesmo tempo pensar que o bacano achou que “ejaculação” estava bem e nessa parte não seria preciso mexer?



publicado por shark às 20:35
linque da posta | sou todo ouvidos

Comentários:
De bacano a 7 de Novembro de 2009 às 23:22
Uma ejaculação prematura será tão só:
Incapacidade de controlo; disturbios de causa secundária ou disturbio psicológico comum.


De shark a 7 de Novembro de 2009 às 23:28
E precoce excluía tudo isso, bacano?


De Rui Santos, o outro a 7 de Novembro de 2009 às 23:59
Prematura é a minha cunhada que nasceu de seis meses e meio...
Quando nos crescia acne na venta, 11 azulejos era o tempo normal, 5/6 azulejos pode-se assim considerar precoce .

Porta-te


De shark a 8 de Novembro de 2009 às 01:11
Eu era 12 (azulejos), mas é só por ser assim pró calmeirão desde miúdo...

abraço, pá


De São Rosas a 8 de Novembro de 2009 às 00:46
Sob risco de se confundir tosse com estar a cuspir... cof!


De shark a 8 de Novembro de 2009 às 01:12
Eu não confundo e vou já tratar disso.


De fabulosa a 8 de Novembro de 2009 às 12:52
ahahahhahaha! eu acho estes preciosismos da linguagem, simplesmente fabulosos... e divertidos! ;)


De shark a 8 de Novembro de 2009 às 16:27
Divertidos até são, Fabulosa, mas há algo de errado na definição de prioridades da malta. Ou é impressão minha?


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