A POSTA NA GRAVIDEZ AUDITIVA

Sendo óbvio que em vários aspectos deixo muito a desejar enquanto ser humano, algo que me torna um entre iguais, ainda não encontrei em mim algo repulsivo o bastante para justificar que as pessoas que me detestam (são várias, admito) tentem impedir outras de me conhecerem ao ponto de poderem rejeitar-me da mesma forma mas com justa causa.

 

Acho foleiro, privarem os outros de poderem constatar por si próprios as minhas múltiplas falhas e os meus variados defeitos e assim alimentarem contra mim (ou seja contra quem for) um justificado rancor que até aprecio quando desgosto de alguém. É que dá muito mais gozo dessa forma e por isso acho egoísta da parte de quem possui razões de sobra para me detestar não permitir ao resto da malta poder encontrá-los por si. E ainda há a questão da incoerência implícita, pois se me desprezam ao ponto de me riscarem do mapa não deveriam assinalar-me “sem querer” no dito cujo só para deixarem os seus (justificadíssimos) avisos à navegação.

Acaba por ser uma contradição e fica mal, até por confirmar o acerto da minha postura relativamente a essas pessoas (que para mim são, naturalmente, uma trampa igual à que lhes inspiro).

No fundo, considero que todos temos o direito a sondarmos uma aventesma (neste caso eu próprio aos olhos de quem não me grama) até conseguirmos reunir os argumentos mais do que suficientes para lhe virarmos as costas e engrossarmos as fileiras dos que o caluniam, depreciam ou apenas tentam isolar como se faz aos meninos que não sabem (ou não querem) brincar connosco às relações humanas.

Dá muito mais pica feito dessa forma, acreditem os que emprenham pelos ouvidos de gente despeitada, desiludida ou apenas com uma embirração qualquer a propósito de uma ou mais das minhas características.

 

Assim sendo, reitero a minha incompatibilidade com essa malta que gosta de apregoar o seu mau feitio e de o provar com estas cenas a que faço alusão mas não possuem o cabedal necessário para aguentarem os dos outros, embora desminta categoricamente (como esta posta comprova) qualquer tipo de desprezo. Antes pelo contrário. Dá-me gozo perceber que no fundo, no fundo, podem gritar ao vento que me odeiam, que me detestam, que nem querem ouvir falar de mim. É que não perco uma goela para constatar que podem falar montes de mal e apresentarem as provas concludentes dos meus inúmeros pecados e da minha personalidade desprezível, mas lá está...

 

Porque é assim que me envaideço por ser tão óbvio que não gostam (fiz por isso, em casos pontuais) mas nunca lhes sou indiferente.

publicado por shark às 22:50 | linque da posta | sou todo ouvidos