A POSTA QUE COINCIDÊNCIAS HÁ MUITAS

Comparar as alternativas existentes em matéria de banda larga neste país onde o feudalismo não desapareceu, apenas se travestiu, é quase o mesmo que olhar para as placas indicadoras dos preços do combustível que alguma alma bem intencionada fez espalhar por cada auto-estrada de Portugal. É quase tudo igual, tirando um ou outro cêntimo só para não parecer mal.

E uma pessoa interroga-se se querem mesmo fazer de todos nós burros, tentando vender o busto de que não existe cartelização e que o mercado funciona de forma clara e transparente e sem jogadas de bastidores.

 

As petrolíferas já foram "investigadas" por uma alta autoridade qualquer e a conclusão foi a que se previa: apesar de todos percebermos que as diferenças de cêntimos entre os postos abastecedores eram apenas da treta e a sintonia nas oscilações dos preços era descarada, estava tudo em conformidade com a Lei e por isso tudo continua na paz do Senhor.

Contudo, voltando à vaca fria do parágrafo inicial, eu olho para as tarifas e para as propostas das operadoras de telecomunicações e depois olho para os tais placards que nos fazem entrar pelos olhos a realidade nua e crua dos barretes que nos enfiam e sinto o apelo de, no mínimo, estrebuchar para que não me assumam imbecil por omissão.

 

Já deixei claro que não tenho formação académica ou outra em Economia para sustentar melhor as minhas conclusões. Todavia, uma coisa que aprendi em matéria de marketing mix foi a multiplicidade de factores que podem influenciar o componente que me interessa no âmbito desta posta: o preço.

E é aqui que a porca torce o rabo, pois gostava de desafiar os decisores das empresas de telecomunicações e petrolíferas a explicarem-me com toda a paciência e rigor como é possível duas empresas concorrentes chegarem a um preço exactamente igual para um produto análogo.

Eu coloco as coisas de uma forma que não implique o recurso ao economês: alguém acredita que mesmo adquirindo os produtos ao mesmo preço, as empresas tenham por exemplo os mesmos custos de distribuição? Ou seja, a frota de camiões-cisterna da Galp tem exactamente o mesmo custo da que serve a Repsol? Os vencimentos dos funcionários das duas empresas são exactamente iguais? Os custos fixos e variáveis são tal e qual?

A resposta negativa a qualquer das perguntas anteriores implica de imediato o abraçar da coincidência como um dado adquirido no mundo dos negócios...

 

E claro que ninguém acredita que no domínio das telecomunicações as coisas se processem da mesma forma, com a TMN e a Vodafone, como irmãs siamesas, a chegarem precisamente ao mesmo valor de €10 para o mesmo tempo de utilização (10 horas) para a sua banda larga móvel recarregável.

Estão mesmo a fazer de nós parvos para poderem manter preços exagerados, concertando preços nas traseiras do folclore com que dão o ar de enorme agressividade comercial e montes de hostilidade recíproca.

Onde eu estudei ensinavam a malta que um dos efeitos da concorrência, daí o receio dos monopólios, é precisamente a baixa dos preços que deriva de uma melhor gestão dos custos por parte de cada empresa para poder estar no mercado de forma mais competitiva.

E nunca me deram a conhecer um cenário, tirando as tais coincidências que em Portugal são mato, de perfeição como a que se depreende do alinhamento dos preços que não acontece apenas nos negócios que referi apenas porque são os mais descarados nesse particular e porque movimentam somas astronómicas que fazem toda a diferença no bolso do cidadão comum.

 

Se nenhuma alta autoridade consegue ver isto, ou as regras do jogo mudaram imenso desde que as estudei ou a multiópticas tem ali um mercado com enorme potencial.

publicado por shark às 11:22 | linque da posta