A POSTA CALVIN KLEIN

pub ck

 

Só ontem fiquei a conhecer o mais recente nojo dos hipócritas que se não olhassem não criticavam. Mas olham, olham muito e depois de ultrapassado o choque de gostarem demais passam ao ataque puritano com as mais estapafúrdias motivações.

Não é novidade, a reacção conservadora à publicidade mais arrojada da Calvin Klein. E em condições normais nem haveria muito a dizer acerca de mais um lápis azul (a versão vídeo foi proibida) da moralidade de baú que tenta riscar do mapa tudo quanto sejam saias acima dos joelhos ou decotes abaixo da sua medida padrão, do limite traçado à fundamentalista.

Mas esta reacção urticária em particular, a propósito da mais recente campanha da CK, chama-me a atenção pelos contornos do anúncio em causa. E em causa está uma foto de uma jovem em tronco nu que beija um rapaz. Mas o problema não reside aí, já que daquilo que os caretas não gostam pouco se vê. O problema consiste no facto de haver mais dois rapazes na foto, o que deve ter feito disparar os alarmes todos nas cabecinhas porcas dos beatos do costume.

É que dá ideia de que a miúda tá ali para aviar os três moços e isso, gente boa, é que não pode ser!

 

Aquilo que me ocorre, ultrapassada a náusea inicial que o puritanismo de pacotilha sempre me inspira, é que a reacção hostil não pode derivar senão dessa alusão velada ao sexo em grupo, mais concretamente num grupo onde só existe uma gaja e, horror dos horrores, até parece ser ela a controlar a situação. E isso é que a seita puritana jamais poderia tolerar. Para mim é apenas essa a parte “pornográfica” da imagem como a entendem os que não gostam mas nunca deixam de deitar o mirone para manifestarem o seu desagrado só depois.

É que por norma onde existe um tipo cheio de pudor esconde-se um machista capaz de ignorar (em princípio…) uma peitaça masculina sem pelos no anúncio a um desodorizante ou assim mas sem tolerância para com a mesma imagem no feminino. Ora, nos tempos que correm é tão natural ocorrer um pensamento pecaminoso do tipo que bela e quente chupadela que dava naquele mamilo a um gajo como a uma gaja e isso coloca as mamas num plano de absoluta igualdade em termos de escandaleira potencial.

E quanto às puritanas, uma espécie ainda mais feroz, repugna-lhes a visão do paraíso a entrar-lhes pelos olhos adentro no seu inferno interior. Revoltam-se com o prazer alheio e jamais admitiriam exposta a verdade que negam nas suas vidinhas reclusas.

 

A grande bronca da tal foto consiste no facto de ser ela quem manda, quem controla, quem decide como e com quem fazer o quê. Um sinal dos tempos capaz de enfurecer o mais amorfo dos totós que só servem para empatar os outros com o seu terror à liberdade de expressão quando esta exprime uma verdade que colida com os seus pruridozinhos da treta.

E depois vão a correr para um canto escuro onde fantasiam com a irmã da canhota tudo aquilo que tanto os repugnou, uma gaja dominadora, liberal, resolvida. E livre de fazer, o que muito apoquenta estas alminhas castradoras capazes de pressionarem uma proibição.

 

Mas incapazes de crescerem, de aceitarem qualquer tipo de evolução. 

publicado por shark às 01:36 | linque da posta | sou todo ouvidos