A POSTA NO DOGGING

Nos primórdios da minha actividade blogueira uma das pedras basilares (isto soa bem, hã?) da minha postagem era a partilha das novidades que sempre vou encontrando nas minhas deambulações pelo mundo fascinante do sexo que a net disponibiliza, para consulta, a quem o quiser encontrar.

Sempre gostei de partilhar, sobretudo as novas técnicas e as principais tendências neste domínio tão vasto que às vezes torna-se difícil de lhe acompanhar a pedalada evolutiva, o conhecimento que adquiro nestas coisas porque entendo que a malta pode não ter tempo para investir nestas demandas.

 

Lembrei-me desses dias em que temas como o sexo anal, o sexo em grupo, a poliamoria e outros ligados à diversidade na interacção que esta nossa espécie tão versátil e imaginativa produz eram por mim abordados quando descobri o novo conceito em voga: o dogging.

Dogging, em termos resumidos, consiste numa iniciativa feminina que implica a selecção de um local público com um leque apreciável de opções com pila para atender. Ou seja, a moça aterra num parque de estacionamento a fervilhar de camionistas ou num balneário do Arrentela FC e disponibiliza-se à rapaziada que nem conhece de lado algum. Aliás, a ideia é mesmo essa (presumo que para eliminar os riscos do falatório).

 

O conceito é arrojado e diz bem do quanto o papel feminino nestas coisas tem conhecido uma evolução sem precedentes na história do mundo. É que eu sou do tempo em que seria tão natural um homem manifestar a sua apetência pela distribuição de fruta por um magote de miúdas como rejeitar em absoluto a proporção contrária. E isso abre-me os olhos para a revolução que está a acontecer e atinge já os terrenos mais inóspitos daquilo a que muitos apelidam como a verdadeira emancipação.

Pois ela aí está, personificada na mulher destemida que opta por concentrar o seu apetite pela variedade num só momento em vez de repartir a coisa por dias alternados.

O dogging implica uma inversão de papéis curiosa de analisar, depois de despidos os preconceitos (e os riscos imensos) que uma atitude tão radical acarreta.

 

Ao que vi, movido apenas pela curiosidade… digamos… científica, a protagonista é quem controla de facto a situação. É ela quem escolhe os eleitos de entre a multidão de voluntários que parece sempre formar-se com imensa espontaneidade nestas ocasiões.

É ela também quem decide como e quando e, por incrível que possa parecer a quem cresceu numa sociedade machista da Europa do sul, os próprios convivas garantem o controlo da situação por forma a que ninguém abuse do acordo tácito que o dogging parece implicar.

Tudo acontece num espaço de tempo relativamente curto, possivelmente para limitar as hipóteses de algo poder correr mal ao nível da intervenção das autoridades que nos preservam destes abomináveis atentados ao pudor (uma pessoa até cora perante a hipótese de se deparar com um cenário assim, não é? Pois, tá bem…), ou apenas devido a algum excesso de entusiasmo da malta deixada de fora. A situação começa e acaba em cerca de meia-hora, o que implica não haver margem de manobra para monopólios ou demoras…

 

Bom, embora a coisa desse pano para mangas em termos de pormenores deixo-vos aqui apenas o essencial para apanharem a ideia. Com a promessa de que, de uma forma ou de outra, o assunto ainda vai render pelo menos outra posta…. 

publicado por shark às 14:52 | linque da posta | sou todo ouvidos