Foto: Shark
Agora também estou no Olhares.
O meu nojo pelos medíocres é imenso. E dentro dessa corja de gentinha incluo com toda a pertinência os vermes que tentam brilhar à custa dos outros e do que são capazes.
AQUI e AQUI, uma reles criaturinha apropriou-se indevidamente de trabalhos que não fez e que jamais seria capaz de fazer ou não os teria publicado como seus: faria igual ou melhor.
Cuspo no rosto virtual desse verme e denuncio aqui publicamente o seu gesto nojento.
O resto logo se vê.
Cinco pessoas foram condenadas à morte no Irão, pelo seu papel nas recentes manifestações anti-regime.
Se já soa abjecta a prisão de seres humanos por delitos de opinião ou por quererem exercer o seu direito à liberdade de expressão, a aplicação de penas capitais com base nesses pretextos constitui por si só uma base mais do que suficiente para instigar uma repulsa imediata contra os líderes iranianos (ou de qualquer outro país e/ou religião) que ultrapassa largamente a bonomia da tolerância para com diferentes formas de entender a vida que o mundo alberga.
Mas a gaita é que nesta reacção hostil instintiva reside um paradoxo quanto à origem da respectiva manifestação.
Foto: Shark
Até no circo é sempre ao palhaço pobre que cabe o papel mais trabalhoso e que, na prática, só dá vontade de rir aos outros...
O dinheiro não traz a felicidade. Mas quando escasseia pode em muitos aspectos prejudicá-la.
A expressão espuma dos dias tem adquirido um novo significado nos meus.
O mar está tão revolto que nem na banheira e com os melhores sais de banho eu conseguia obter um efeito tão espumante...
Depois de ver os adeptos bósnios cuspirem sobre a selecção nacional de futebol, esse símbolo da Nação, já não me soa tão nojenta a cuspidela da Maitê no chafariz dos Jerónimos...

Foto: Shark
Entrincheirado na cama que fez para nela se deitar sentiu de forma penosa o tempo a passar enquanto não chegava a hora do ajuste de contas que a vida congeminou.
No horizonte, nuvens negras de temporal misturavam-se com as nuvens de pó levantadas pela ameaça maior e ele, desarmado, tentava equacionar a atitude mais adequada para enfrentar o destino que lhe estaria reservado na sua paupérrima condição.
Patético na trincheira, conseguia perceber o absurdo de qualquer reacção hostil que o desequilíbrio de forças converteria na sua obliteração. Um martírio, afinal, em nome de uma dignidade que sabia de pouco valer naquelas circunstâncias medonhas.
Não pretendia, contudo, abraçar a cobardia como opção. Não queria aceitar a deserção como um caminho fácil de fuga, o extremo oposto da resistência inútil perante um oponente colossal.
Queria apenas sobreviver ao confronto, negociar os termos de uma paz que antevia podre mas necessária.
Sentia mais do que nunca a natureza solitária do seu posto avançado, ele que era o único soldado de permeio entre o agressor e o território virtual que iria decerto tombar em seu poder.
Era o único a enfrentar o momento decisivo da confrontação, retiradas do tabuleiro todas as peças com que podia contar. E reforços não existiam, depois de sucessivas e desgastantes batalhas ao longo das quais percebeu aos poucos que no final dependeria apenas de si próprio, sem munições para ripostar ao ataque que se desenhava já no seu alcance de visão.
Sentiu bater mais forte o coração quando percebeu que jogava ali uma cartada decisiva para o seu futuro, sozinho sob aquele céu tão escuro que parecia preparar-se para desabar em cima da trincheira improvisada, uma pura e simples fachada para disfarçar o medo que sentia pela incógnita do desfecho que não tardaria a protagonizar.
Em determinados períodos a vida parece tentar confundir-me com o envio de sinais estapafúrdios ou simplesmente contraditórios. O melhor e o pior, em vagas sucessivas de desorientação de qualquer esforço racional.
E se aos acontecimentos súbitos, fortuitos e inesperados que fogem ao meu controlo posso chamar apenas acidentes de percurso, aos indicadores que me são fornecidos pelos outros nem encontro um rótulo para aplicar.

Foto: Shark
É bonito, defender valores. E não estou a falar de segurança privada, mas sim daqueles princípios que nos filmes e nos livros e na memória gasta dos mais idosos constituem os traços que definem as pessoas de bem e que valem a pena. Alegadamente.
É bonito, fazer a apologia dessas coisas que distinguem quem merece todo o crédito, respeito e confiança. Melhor ainda, lindo até, promover a aplicação prática desses conceitos. Honestidade, integridade, dignidade, honra. E outros dessa categoria.
Borboletas e flores, passarinhos a cantar num prado verdejante e essas merdas. Música no coração.
Música, de facto, pois o mundo mudou. Imenso. Soam como melodias antigas, roufenhas, essas noções arcaicas de cavalheirismo, de bonomia e de seriedade que permitiam um orgulho genuíno por parte de quem se mantinha intocável nesses particulares.
São arquétipos de comportamento desfasados da realidade como a enfrentamos agora. São vulnerabilidades, afinal, numa forma de estar que privilegia o sucesso como bitola para o valor de qualquer pessoa.
Só os bem sucedidos, e ninguém ouse questionar-lhes os meios para atingirem tais fins, angariam respeito e consideração. Quem está bem fica sempre melhor. Aos olhos dos outros também. Nunca ficam isolados, os vencedores, embora esteja garantido que ficam igualmente pendurados quando dão os flancos se algo corre mal. Porque caem do pedestal e isso ninguém perdoa, antes pelo contrário, pelo mau exemplo que constituem para quem acorda em cada dia com ganas de subir na vida, de ascender a um patamar superior que equivale a maior poder financeiro e que se traduz na posse de bens que o exibam.
Aos restantes, os antigos, resta apenas enfrentar a estranheza, a indiferença, a estupefacção ou mesmo o escárnio de quem os ouve, pelintras, envaidecerem-se por serem anacrónicos, inevitavelmente perdedores no mundo hipócrita da correria, da guerra sem quartel e sem escrúpulos pela conquista de mais seja o que for.
É bonito, ser como um piano de cauda clássico, raro, daqueles que só servem para engalanar o salão ou para entregar à loja de penhores quando a coisa descamba. Ou para aterrarem com estrépito na mona dos que a sorte ou o juízo atraiçoam.
É bonito, tocar a música clássica no meio da pista de dança da discoteca da moda onde outros se mostram, todos alinhados num ritmo moderno e tão vazio de conteúdo como requintado na forma, todos se assumem determinados a seguirem o rumo do progresso, a tal ganância pelo sucesso que obriga a evitar as inconveniências que possam beliscar as relações de cristal.
Mas é duro constatar que uma educação para o futuro, as gerações que se sucederão, tem que ter em conta uma forma de pragmatismo assassina de muitos dos tais valores e princípios que a vida, impiedosa, não deixa de apresentar como uma factura pesada aos que tropeçam na debilidade mais definitiva: a daqueles que só quando tombam percebem que uma postura imaculada é a receita acertada para que ninguém lhes queira valer.

Foto: Shark
A própria notícia, como os factos conhecidos até à data, desmentem o título acima que se trata precisamente daquele que a TVI, no seu inconcebível Jornal Nacional, escolheu para chamada de capa da peça acerca do feto nado-morto que referi três postas abaixo.
Ninguém está em condições nesta altura de associar à vacina contra o H1N1 o drama vivido pela mulher grávida que protagoniza a triste notícia. Faltam os resultados de uma autópsia, faltam casos análogos, faltam explicações científicas que possam garantir a relação causa-efeito entre a vacina e a tragédia que se viria a verificar. Falta tudo à excepção de uma coincidência que poderá nem passar disso mesmo.
Contudo, para o jornalismo (desculpem estar às gargalhadas, é dos nervos...) praticado na TVI nem basta associar a vacina à fatalidade: foi a gripe A que matou em Portalegre.
E eu gostava de saber que raio de bicho matou a inteligência, a vergonha, o bom senso e o brio profissional de quem alinha em palhaçadas destas.

O Daniel Oliveira não é um blogueiro da minha predilecção. Nem uma pessoa que me suscite empatia, nomeadamente na sua condição de figura pública que me causa alguma estranheza. Por não lhe reconhecer mérito para a assumir.
Ainda assim, isso não passa da minha opinião enquanto blogueiro e tele-espectador e acredito que o DO se esteja nas tintas para a mesma.
Isso não invalida, porém, que eu nunca desarme na observação atenta das incongruências e incoerências que aos meus olhos definem as pessoas na sua essência e no calibre da respectiva capacidade intelectual.
No mais recente programa Eixo do Mal a intervenção inicial do Daniel, muito acertada, incidiu na triste figura de Manuela Ferreira Leite quando no Parlamento entendeu aproveitar politicamente a associação de José Sócrates ao caso das sucatas. Que tá mal, dizia o DO, que é incorrecto, confirmava o DO.
Mas depois, na mesma toada e imediatamente a seguir à fundamentação da sua crítica ao facto de ser incorrecta a postura da inefável líder da oposição, o DO deixou escapar o venenozinho contraditório: "ah e tal, mas claro que é estranho o nome de Sócrates aparecer sempre associado a estas coisas...".
Estranho é criticar alguém por fazer o mesmo que fazemos logo a seguir. É que no fundo, o que MFL fez foi arrastar para o Parlamento a suspeição que só a fuga de informação permitiu e que nada implica de concreto até à data.
E o bacano do Daniel, um esmero de coerência, fez exactamente o quê com o acrescento insidioso da sua estranheza?
A semana começa com a notícia de mais quatro jovens mortos na estrada e um nado-morto na sequência (pode tratar-se de coincidência, mas enfim...) de uma vacina contra o H1N1 tomada por uma grávida de Portalegre.
Se no primeiro caso temos apenas mais do mesmo num ciclo de dez anos que já soma mais de 13 mil vidas perdidas no asfalto, no segundo vislumbramos outra face preocupante da pandemia que tentamos acreditar mais inofensiva do que a pintam mas não pára de ser associada a mortes que desmentem essa esperança que todos queremos alimentar.
E ainda temos o Prémio Nobel da Paz a arreganhar a dentuça aos seus parceiros da cabra-cega nuclear, os iranianos que teimam em vestir a pele dos seus vizinhos do lado que ainda hoje, na ressaca da intervenção militar ocidental, não conseguem manter uma vida normal.
A semana abre assim. Ainda bem que isto não é como começa mas como acaba...
Mesmo quem não presta atenção ao estranho fenómeno que é o futebol deixa-se contagiar pela cena quando está em causa a selecção nacional. Resquícios da era Scolari, como a Imprensa desportiva costuma baptizar o mandato (por norma curto e conturbado) dos timoneiros "já era" da equipa de todos nós, ainda no tempo em que a malta se prestava a meter bandeiras nas janelas para depois as deixar lá a apodrecer.
Hoje joga-se a primeira de duas finais que podem conduzir Portugal a mais um período insano de domínio do futebol sobre todas as restantes facetas da realidade noticiada.
Sim, o assunto é importante por tudo aquilo que representa. Por tudo aquilo que movimenta em matéria de dinheiro, de interesses, de emoção. E um bocadinho, vá lá, por ser uma modalidade desportiva com tudo o que isso implica de saudável e assim.
Nessas duas finais joga-se boa parte do que os futebolistas seleccionados poderão almejar nas suas carreiras, tanto para os que ainda mal as começaram como para aqueles para os quais este torneio pode representar a derradeira oportunidade de brilhar num grande palco internacional.
Depois da geração de ouro, a tal que prometia tudo mas só rendeu algo de significativo em matéria de títulos para os grandes clubes europeus, está agora em campo a que a rendeu. Cristiano Ronaldo, Nani, Miguel Veloso, Bruno Alves e outros ilustres irão agora erguer o estandarte legado por Figo, Rui Costa, João Pinto, Pauleta e mais uns quantos.
Sim, soa a linguagem militar. Mas é assim que se vive o futebol. A tribo dos leoninos contra a dos lampiões. O exército lusitano contra os bárbaros bósnios. Batalhas que se disputam, onze contra onze, pela conquista da glória de um esférico enfiado numa baliza.
É esse o objectivo destes heróis modernos, a geração de prata (porque brilha menos que a anterior e ainda não ganhou nada que se visse) que hoje tentará garantir a presença portuguesa no Mundial de Futebol da África do Sul.
E caso não consiga lograr esse feito que o país reclama uma coisa é certa: continuaremos a fazer o culto das várias gerações de bronze, estátuas, as que eram todas boas à brava mas por isto ou por aquilo acabaram quase sempre a lamber as feridas ou a roer os pretextos (as arbitragens, as noitadas, as birras, os bodes expiatórios, o pilim) das derrotas impensáveis ou da eterna maldição das vitórias morais.
Foto: Shark
Enquanto o homem das sucatas, milionário, viu alterada a medida de coacção para pior devido ao risco de fuga o gangue nómada das jóias em cofre xpto foi enviado em paz com termo de identidade e residência(?).
a minha lisboa (my lisbon)(222)
amor e sexo(187)
bicharada (my zoo)(181)
blogoferas(70)
céus(17)
céus (the sky)(113)
curiosidades(14)
desabafos(55)
detalhes(299)
devaneios(128)
direito à indignação(180)
efemérides(11)
em directo(14)
fazer humor(32)
flower power(70)
iniciativas(94)
intervalos(85)
inutilidades(312)
luz (the light)(11)
mais portugal(20)
mais portugal (my country)(120)
manipulações (altered images)(60)
oceanos(14)
oceanos (the ocean and the beach)(124)
os meus heróis(15)
política e outros futebóis(243)
preocupações(264)
recomendações(33)
rio tejo(27)
todo aberto(347)
um mundo para fotografar (the world is m(204)
utilidades(26)
Também estou aqui
Parcerias
BERÇO DE OURO |